CNPJ Inapto: Como regularizar, quanto custa e quando encerrar de vez

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Publicado em 24/06/2026 · 22 min de leitura

Descobrir que o CNPJ está inapto costuma acontecer no pior momento: na hora de emitir uma nota fiscal, abrir conta bancária ou fechar um contrato. O sistema trava, aparece a mensagem de situação cadastral irregular, e a dúvida que surge é exatamente essa: como regularizar o CNPJ inapto e quanto isso vai custar? A resposta depende do regime tributário da empresa, do tempo que a inaptidão está ativa e de uma decisão que poucos artigos tratam com honestidade: se vale reativar ou se encerrar é o caminho mais inteligente.

Este guia cobre os dois caminhos com profundidade. Se você quer reativar, vai encontrar o passo a passo completo pelo e-CAC com os valores reais de multa por regime. Se está pensando em encerrar, vai entender quando essa decisão faz mais sentido do que gastar tempo e dinheiro para trazer de volta uma empresa que não tem mais utilidade.

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Resposta Rápida: O Que Fazer com um CNPJ Inapto

Para regularizar o CNPJ inapto, acesse o e-CAC com seu acesso ao Gov, altere o perfil para o CNPJ da empresa, gere o relatório de pendências em “Certidões e Situação Fiscal” e transmita todas as declarações omitidas via internet. Após a entrega, o CNPJ volta ao status ativo em 24 a 48 horas úteis (MEI e Simples) ou 5 a 15 dias úteis (Lucro Presumido e Real). Se a empresa não tem mais utilidade, é possível dar baixa mesmo com o CNPJ inapto, sem quitar as dívidas antes.

O Que Significa CNPJ Inapto e Por Que a Receita Federal Declara Isso

A inaptidão é uma situação cadastral oficial, regulada pelo artigo 38 da Instrução Normativa RFB nº 2.119/2022, que substituiu e consolidou as regras anteriores. O CNPJ é declarado inapto quando a empresa deixa de cumprir obrigações acessórias, principalmente a entrega de declarações, por um prazo mínimo de 90 dias após o vencimento. Na prática, o que a Receita Federal enxerga é uma empresa que parou de se comunicar com o Fisco.

O instrumento formal dessa declaração é o ADE, o Ato Declaratório Executivo, ou seu equivalente eletrônico, o e-ADE. Quando a Receita emite esse ato, ela publica no portal da RFB ou no Diário Oficial da União a lista dos CNPJs declarados inaptos com as declarações e exercícios omitidos. Esse documento é o ponto de partida de qualquer processo de regularização: sem saber exatamente o que está faltando, não há como corrigir com precisão.

CNPJ Inapto, Inativo e Baixado: A Diferença que Muda Tudo

Esses três termos circulam juntos, mas significam coisas completamente diferentes. Confundi-los é o primeiro erro que atrasa a regularização.

SituaçãoO que significaConsegue emitir NF?Tem solução?
AtivoEmpresa regular, declarações em diaSimNão se aplica
InativoSem movimentação, mas declarações entregues corretamenteSim (se regular)Não se aplica
InaptoDeclarações omitidas, situação irregular perante a RFBNãoSim: regularizar ou encerrar
BaixadoCNPJ formalmente encerradoNãoNão: é definitivo
NuloRegistro anulado por irregularidade na constituiçãoNãoCaso a caso

O CNPJ inativo com declarações em dia é uma situação regular. O inapto não é. Uma empresa pode passar anos sem faturar e sem movimentar contas e ainda assim ter o CNPJ regular, desde que tenha entregado as declarações informando ausência de movimento. O problema começa quando para de declarar.

Por Que o CNPJ Fica Inapto: As Causas por Regime Tributário

A causa raiz é sempre a mesma: omissão de declarações. Mas o que precisa ser declarado varia significativamente dependendo do enquadramento tributário da empresa. Antes de iniciar qualquer processo de regularização do CNPJ inapto, é preciso identificar o regime e mapear exatamente o que ficou para trás.

MEI Inapto: Quando a DASN-SIMEI Não Foi Entregue

Para o Microempreendedor Individual, a declaração que leva à inaptidão é a DASN-SIMEI, a Declaração Anual Simplificada do MEI, com prazo até 31 de maio de cada ano. Basta não entregar por dois anos consecutivos para o CNPJ ser declarado inapto. O sistema é implacável: não importa se o MEI não faturou nada naquele período. A obrigação existe enquanto o CNPJ existir.

A regularização do MEI inapto é a mais simples das situações. Basta acessar o portal do PGMEI ou o sistema do Simples Nacional, transmitir as DASN-SIMEI de todos os anos omitidos e pagar as multas geradas. Depois da transmissão, o CNPJ volta ao status ativo em até 24 horas úteis, desde que não haja congestionamento nos sistemas e os envios sejam feitos antes das 18h.

Simples Nacional Inapto: PGDAS-D e DEFIS Omitidos

Para empresas do Simples Nacional, as declarações que geram inaptidão por omissão são o PGDAS-D (Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional, declaração mensal) e a DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais, anual). Ambas precisam ser entregues mesmo em períodos sem faturamento. Empresas que pararam de operar sem dar baixa formal acumulam anos de omissão sem perceber, até o inapto aparecer numa consulta de CNPJ.

A regularização exige a transmissão do PGDAS-D de cada competência em atraso e da DEFIS de cada ano omitido. Um detalhe importante de quem faz isso todos os dias: o sistema do Simples exige que as declarações sejam transmitidas em ordem cronológica, do período mais antigo para o mais recente. Tentar pular competências gera rejeição e atrasa o processo.

Existem outras declarações obrigatórias que faz com que o CNPJ fique inapto, porém, impossível de listar todas elas, pois dependem de análise técnica contábil e fiscal.

Lucro Presumido e Lucro Real: O Peso do SPED e da DCTF

Para empresas nos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real, o leque de declarações é muito mais amplo. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) é mensal e sua omissão é a causa mais frequente de inaptidão nesse grupo. Mas há também a ECF (Escrituração Contábil Fiscal, anual), a ECD (Escrituração Contábil Digital, anual), a GFIP ou eSocial para empresas com funcionários, e outras obrigações específicas por atividade.

A regularização nesse caso é a mais complexa e, na maioria das situações, não é recomendável fazer sem um contador experiente. Um erro na entrega da DCTF (como declarar todos os meses do ano em vez de apenas janeiro para empresa inativa, um equívoco clássico) gera multas desnecessárias que podem superar em muito o custo de contratar apoio especializado. Nesse tipo de caso, contar com um profissional da área faz a diferença tanto no custo final quanto no prazo de regularização.

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As Consequências Reais de Manter um CNPJ Inapto

Deixar o CNPJ inapto sem resolver não é uma opção neutra. Cada mês que passa piora a situação em pelo menos três dimensões: financeira (multas acumulando), operacional (bloqueios se aprofundando) e pessoal (exposição dos sócios aumentando). Veja o que acontece concretamente.

Notas Fiscais Bloqueadas e Nulidade das Que Foram Emitidas

O art. 49 da IN RFB nº 2.119/2022 é direto: a entidade com inscrição inapta fica impedida de transacionar. Na prática, os sistemas municipais e estaduais de emissão de nota fiscal identificam o status inapto automaticamente e bloqueiam o acesso. Em algumas prefeituras, o sistema ainda permite emitir, mas a nota é considerada nula pelo Fisco. Conforme o art. 51 da mesma IN, documentos emitidos por entidade inapta não produzem efeitos tributários a favor de terceiros. Isso significa que quem recebeu nota fiscal de uma empresa inapta pode ter a dedução questionada numa auditoria.

Conta Bancária, Crédito e Licitações Travados

O mesmo artigo da IN proíbe a entidade inapta de movimentar contas bancárias e contratar empréstimos. Na prática, os bancos têm acesso à situação cadastral via sistemas de consulta e podem bloquear preventivamente a conta PJ quando identificam a inaptidão. Já as certidões negativas de débito ficam inacessíveis, o que impede a participação em licitações públicas, a celebração de contratos com órgãos governamentais e a obtenção de financiamentos bancários de qualquer natureza.

Sócios no CADIN e CPF Comprometido

A empresa inapta é automaticamente incluída no CADIN, o Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal. Com isso, os sócios ficam impedidos de abrir novas empresas e de participar de qualquer operação que exija regularidade fiscal. As dívidas do CNPJ podem ser cobradas dos sócios como pessoas físicas, o que compromete diretamente o CPF de cada um. Já abordamos em detalhes o que acontece com as dívidas no CPF em nosso artigo sobre o que acontece quando você dá baixa no CNPJ.

A Baixa de Ofício: O Que Acontece Se Não Fizer Nada

O art. 31 da IN RFB nº 2.119/2022 prevê a baixa de ofício, ou seja, o encerramento compulsório do CNPJ pela própria Receita Federal, quando a empresa inapta não regulariza a situação em um prazo subsequente de 180 dias após a declaração de inaptidão. Antes de efetivar a baixa, a Receita publica uma intimação por edital e concede prazo de 60 dias para regularização. Se o prazo passar sem resposta, o CNPJ é extinto e os sócios ficam impedidos de abrir novas empresas até que as pendências sejam quitadas.

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Como Regularizar o CNPJ Inapto: Passo a Passo Completo pelo e-CAC

O processo de regularização do CNPJ inapto é feito inteiramente pela internet, sem necessidade de comparecer presencialmente à Receita Federal. O caminho tem cinco etapas, e a ordem importa: pular uma etapa ou fazer na sequência errada pode gerar rejeição de declarações e atrasar a reativação.

Contador acessando portal e-CAC da Receita Federal para consultar pendências de CNPJ inapto

Passo 1: Acessar o e-CAC com o Perfil Correto

O Portal e-CAC da Receita Federal é acessado com a conta Gov.br de nível Prata ou Ouro, ou com certificado digital. O ponto de atenção que poucos artigos explicam: ao entrar no e-CAC com o CPF do responsável, o sistema abre no perfil pessoa física. Para acessar os dados do CNPJ inapto, é necessário alterar o perfil de acesso, usando a opção “Alterar perfil de acesso” e selecionando o CNPJ da empresa. Sem essa troca, você não consegue ver as pendências da pessoa jurídica nem transmitir declarações por ela.

Passo 2: Identificar as Pendências pelo Relatório Fiscal e pelo e-ADE

Dentro do perfil da empresa, acesse “Certidões e Situação Fiscal” e depois “Consulta Pendências: Situação Fiscal”. Clique em “Gerar relatório” para ver a lista completa de declarações omitidas, com os períodos e o tipo de obrigação em atraso. Em paralelo, consulte se existe um e-ADE publicado para o CNPJ acessando “Editais e ADE Eletrônicos” na página inicial da RFB. O e-ADE lista formalmente os exercícios que geraram a inaptidão e é o documento oficial que orienta o que precisa ser regularizado.

Com as duas consultas em mãos, você tem um mapa completo das pendências. É aqui que o trabalho começa de verdade, e é também aqui que um contador experiente faz mais diferença: interpretar corretamente o que precisa ser declarado, em que período e com qual informação evita multas desnecessárias que podem surgir de erros de preenchimento.

Passo 3: Transmitir as Declarações por Regime

A transmissão deve ser feita em ordem cronológica, do período mais antigo para o mais recente. Para o MEI, as DASN-SIMEI são enviadas pelo portal do Simples Nacional. Para o Simples Nacional, o PGDAS-D é transmitido pelo mesmo portal, competência a competência. Para Lucro Presumido e Real, a DCTF é enviada pelo programa específico da Receita, e o SPED (ECF, ECD) pelo módulo correspondente.

Um erro clássico que gera multa desnecessária em empresas de Lucro Presumido inativas: declarar a DCTF de todos os meses do ano. A regra para empresa inativa é declarar apenas o mês de janeiro de cada ano, informando ausência de débitos. Declarar os 12 meses gera 11 multas adicionais que não existiriam com a entrega correta. Esse tipo de detalhe faz toda a diferença no custo final.

Passo 4: Pagar as Multas com o Desconto de 50%

A entrega de cada declaração fora do prazo gera automaticamente a MAED, a Multa por Atraso na Entrega da Declaração. A Receita Federal concede desconto de 50% sobre o valor da multa se o pagamento for efetuado dentro de 30 dias contados da data de vencimento da notificação. Esse desconto é automático e não precisa de solicitação: o próprio DARF gerado pelo sistema já reflete o valor com desconto se emitido dentro do prazo.

As guias de pagamento ficam disponíveis no e-CAC após a transmissão de cada declaração. O pagamento pode ser feito via internet banking, Pix (usando o código de barras do DARF) ou nas agências bancárias autorizadas. Após o pagamento e a compensação bancária, que leva de um a dois dias úteis, o sistema da Receita atualiza o status automaticamente.

Passo 5: Acompanhar a Reativação do CNPJ

Depois de entregar todas as declarações e pagar as multas, o CNPJ volta ao status ativo sem nenhuma solicitação adicional. A Receita Federal não exige pedido formal de reativação: o cumprimento das obrigações já é suficiente. O tempo para a atualização aparecer no sistema varia por regime: MEI e Simples Nacional costumam regularizar em até 24 horas úteis; Lucro Presumido e Real, especialmente quando há SPED envolvido, podem levar de 5 a 15 dias úteis para a situação ser processada internamente.

Para confirmar que o CNPJ foi regularizado, acesse o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no site da Receita Federal e verifique se a situação consta como “Ativa”. O e-CAC também exibe o status atualizado na consulta de pendências.

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Quanto Custa Regularizar o CNPJ Inapto em 2026

Essa é a pergunta mais buscada, e a resposta mais honesta é: depende do regime e do tempo de omissão. Os custos têm duas componentes: as multas pelas declarações atrasadas e os tributos eventualmente devidos. Abaixo, explico a lógica de cada regime e apresento simulações práticas.

Custo de Regularização por Regime: Simulações Reais

RegimeCenárioMulta por declaração (com 50% de desconto)Custo estimado de multasPrazo de reativação
MEI2 anos de DASN-SIMEI omitidas, faturamento zeroR$ 25,00 por declaração (mín. R$ 50 com 50% desc.)R$ 50,00 a R$ 100,00 totalAté 24h úteis
MEI4 anos de DASN-SIMEI omitidas, faturamento zeroR$ 25,00 por declaraçãoR$ 100,00 a R$ 200,00 totalAté 24h úteis
Simples Nacional3 anos sem PGDAS-D e DEFIS, sem faturamento2% ao mês sobre tributos (mín. R$ 200 / desc. 50% = R$ 100 por período)R$ 300,00 a R$ 800,00 (mais DAS em atraso)24 a 48h úteis
Lucro Presumido4 anos de DCTF omitidas (só janeiro por ano), sem movimentoR$ 200 por DCTF com 50% desc. = R$ 100 por períodoR$ 400,00 a R$ 1.200,00 (mais IRPJ/CSLL se houver)5 a 15 dias úteis

Esses valores são referentes às multas de declaração. Se houver tributos em atraso (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, DAS, contribuições previdenciárias), os valores aumentam proporcionalmente. Para empresas com faturamento no período omitido, o custo pode ser significativamente maior. Um contador pode calcular o valor exato antes de iniciar o processo, o que evita surpresas desagradáveis no meio do caminho.

Quando o Custo da Regularização Supera o Valor do Negócio

Há casos em que regularizar simplesmente não faz sentido financeiro. Se uma empresa tem cinco anos de declarações omitidas em Lucro Presumido, com tributos devidos, o custo de regularização pode facilmente ultrapassar R$ 10.000 ou R$ 20.000, dependendo do faturamento histórico. Se a empresa não opera mais e não vai voltar a operar, gastar esse dinheiro para reativar um CNPJ que vai ser encerrado logo depois é um desperdício.

A alternativa, que poucos contadores explicam de forma direta, é dar a baixa mesmo com o CNPJ inapto. A LC 123/2006 garante às microempresas e empresas de pequeno porte o direito à baixa facilitada, sem necessidade de quitar todas as pendências antes do encerramento. As dívidas não somem com a baixa, mas param de crescer, e o processo de encerramento formal libera os sócios do peso operacional do CNPJ inapto.

Regularizar ou Encerrar? Como Tomar a Decisão Certa

Essa é a decisão que separa quem resolve o problema de quem apenas troca um problema por outro. A escolha entre regularizar para continuar ou encerrar de vez depende de uma análise honesta de três perguntas: a empresa ainda tem utilidade? O custo de regularização é compatível com o retorno esperado? Existe alternativa mais eficiente?

CritérioAponta para regularizarAponta para encerrar
Pretende continuar operandoSimNão
Tem clientes, contratos ou faturamento previstoSimNão
Custo de regularização é compatível com o retornoSimNão
Empresa parada há mais de 3 anos sem perspectivaNãoSim
Precisa de benefícios sociais (seguro-desemprego, Bolsa Família)Não (CNPJ inapto ainda trava)Sim (encerrar elimina o bloqueio)
Quer abrir nova empresa com atividade diferenteDepende do custoSim (mais limpo)
CNPJ inapto há mais de 4 anos, risco de baixa de ofícioUrgente regularizar ou encerrarEncerramento evita complicação adicional

Se a decisão é encerrar, o artigo-pai desta série, como dar baixa em CNPJ inapto, detalha o processo completo de encerramento com CNPJ em situação irregular, incluindo a sequência correta na Receita, REDESIM e Junta Comercial.

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Erros Comuns ao Tentar Regularizar CNPJ Inapto Sozinho

Depois de anos atendendo empresários nessa situação, alguns erros aparecem com uma frequência que já seria cômica se as consequências não fossem financeiras. Os três mais comuns merecem atenção especial.

Declarar Todos os Meses de DCTF em Vez de Apenas Janeiro

Para empresas de Lucro Presumido sem movimento, a regra da DCTF é declarar apenas o mês de janeiro de cada ano com código de receita de situação especial. Muitos tentam regularizar declarando todos os 12 meses do ano, como fariam numa empresa ativa. O resultado é a geração de 11 multas por declaração desnecessária, cada uma de R$ 200 antes do desconto. Num cenário de 4 anos de omissão, isso pode representar R$ 4.400 a mais em multas que não existiriam com a entrega correta.

Confundir Inapto por Omissão com Inapto por Inconsistência Cadastral

O art. 38 da IN RFB 2.119/2022 prevê duas causas de inaptidão: omissão de declarações e inconsistência cadastral. Quando a inaptidão é por inconsistência (endereço desatualizado, natureza jurídica incorreta, QSA desatualizado), não basta entregar declarações. É necessário primeiro fazer uma alteração cadastral pelo DBE (Documento Básico de Entrada) para corrigir a inconsistência. Quem entrega declarações sem corrigir o cadastro não sai do status inapto e ainda paga multas por atraso sem necessidade.

Achar Que Pagar o DAS Sem Entregar a Declaração Resolve o Problema

Para MEIs e empresas do Simples, é comum pagar os DAS em atraso e achar que isso regulariza a situação. Não regulariza. O pagamento dos tributos e a entrega das declarações são obrigações independentes. O CNPJ volta ao status ativo somente quando as declarações omitidas forem transmitidas. Pagar sem declarar gera crédito tributário, mas não resolve a inaptidão cadastral.

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O CNPJ Inapto há Anos: A Baixa de Ofício e o Prazo de 5 Anos

Existe um ponto de não retorno que poucos conhecem. Quando o CNPJ permanece inapto por cinco exercícios consecutivos sem qualquer regularização, a Receita Federal pode promover a extinção de ofício do cadastro. O processo passa pela publicação de um edital de intimação, que concede ao responsável 60 dias para regularizar. Se o prazo se encerrar sem resposta, o CNPJ é extinto e os sócios ficam impedidos de abrir novas empresas até que regularizem as pendências.

Se você recebeu uma intimação por edital ou suspeita que o CNPJ está nessa situação, o momento de agir é agora. A escolha entre regularizar e encerrar formalmente precisa ser feita antes que a Receita tome a decisão por você. O encerramento involuntário não cancela as dívidas dos sócios e ainda deixa um histórico negativo nos sistemas fiscais que complica operações futuras.

Para entender o que acontece com as dívidas depois do encerramento, seja voluntário ou de ofício, leia nosso guia completo sobre MEI inativo: obrigações e quando encerrar, que detalha como as dívidas migram para o CPF do titular e qual o caminho para regularizá-las.

Vídeo: Como Regularizar CNPJ Inapto

Se você prefere acompanhar o processo em vídeo, selecionei dois materiais do nosso canal que complementam este guia e aborda baixas de empresas. Para assistir, clique na imagem do vídeo.

MEI Inapto: Um Caminho Mais Simples

Para quem é MEI, a regularização do CNPJ inapto é a situação mais acessível entre todos os regimes tributários. O custo é baixo, o processo é rápido e pode ser feito sem assistência profissional se a situação for simples. Mas há um detalhe que costuma passar despercebido: o MEI tem obrigações que continuam existindo mesmo depois que o CNPJ é regularizado. DAS mensais, DASN-SIMEI anual e o relatório mensal de receitas precisam ser mantidos em dia para evitar que a inaptidão volte.

Se o MEI está inapto e não tem mais utilidade, a baixa formal é gratuita e pode ser feita pelo Portal do Empreendedor em minutos. As dívidas anteriores à baixa migram para o CPF, mas pelo menos o ciclo de novas obrigações se encerra. Esse tema está detalhado no nosso artigo sobre CNPJ e seguro-desemprego, que explica como o encerramento do MEI desobstrui benefícios que a inaptidão bloqueia.

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Perguntas Frequentes Sobre Como Regularizar CNPJ Inapto

O que fazer quando o CNPJ está inapto?

Acesse o e-CAC com seu CPF, altere o perfil para o CNPJ da empresa e gere o relatório de pendências em “Certidões e Situação Fiscal”. Com a lista de declarações omitidas em mãos, transmita cada uma pela internet na ordem cronológica e pague as multas geradas. Se a empresa não tem mais utilidade, é possível dar a baixa mesmo com o CNPJ inapto, sem quitar as dívidas antes, com base no art. 9º da LC 123/2006 para microempresas e EPPs.

Quanto custa regularizar um CNPJ inapto em 2026?

O custo depende do regime tributário e do tempo de omissão. Para o MEI, a multa mínima por declaração atrasada é de R$ 50,00, com desconto de 50% se paga em 30 dias. Para o Simples Nacional, a multa é de 2% ao mês sobre os tributos declarados, com mínimo de R$ 200,00 por período antes do desconto. Para Lucro Presumido e Real, os valores variam conforme o número de declarações e os tributos devidos. Além das multas, há os tributos em atraso, se houver faturamento no período.

Quanto tempo leva para o CNPJ voltar a ficar ativo depois da regularização?

Para MEI e Simples Nacional, o CNPJ volta ao status ativo em até 24 a 48 horas úteis após a transmissão de todas as declarações e a compensação dos pagamentos, desde que os envios sejam feitos antes das 18h e sem erros de preenchimento. Para Lucro Presumido e Lucro Real, especialmente quando há SPED envolvido, o prazo pode ser de 5 a 15 dias úteis, dependendo do volume de obrigações e do processamento interno da Receita Federal.

CNPJ inapto pode ser reativado ou precisa abrir um novo?

O CNPJ inapto pode ser reativado sem abrir um novo. Regularizar o CNPJ existente preserva o histórico cadastral da empresa, o número do CNPJ e os relacionamentos comerciais já estabelecidos. Abrir um novo CNPJ só seria necessário após o encerramento formal (baixa) do atual, o que é uma decisão diferente da regularização. As duas situações, reativar e encerrar, têm caminhos distintos e implicações diferentes para os sócios.

O que acontece se eu não regularizar o CNPJ inapto?

As multas continuam acumulando, os bloqueios operacionais permanecem e, se a inaptidão perdurar por cinco exercícios consecutivos, a Receita Federal pode promover a baixa de ofício do CNPJ. Antes disso, publica uma intimação por edital concedendo 60 dias para regularização. Se o prazo for ignorado, o CNPJ é extinto e os sócios ficam impedidos de abrir novas empresas até regularizar as pendências, que continuam existindo mesmo após a extinção compulsória.

CNPJ inapto impede o sócio de abrir outra empresa?

Sim. O art. 49 da IN RFB nº 2.119/2022 determina que os membros do Quadro de Sócios e Administradores da empresa inapta ficam impedidos de participar de outras empresas. Na prática, a Receita Federal rejeita pedidos de abertura de CNPJ quando identifica que o solicitante é sócio de uma empresa inapta. O impedimento é levantado apenas quando a empresa inapta é regularizada ou formalmente encerrada.

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Leandro Frallonardo, contador responsável pelo conteúdo da Baixar CNPJ

Leandro Frallonardo · Contador (CRC 196165)

Mais de 30 anos atuando com encerramento de empresas, baixa de CNPJ e regularização cadastral perante a Receita Federal. Escreve no blog da Baixar CNPJ para descomplicar o fim do ciclo empresarial. Conheça o trabalho do autor.

✓ Conteúdo revisado por contador, com base na legislação vigente.

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